ICMS, PIS/Cofins e iluminação pública: os impostos e taxas da sua conta de luz
Numa conta de 300 kWh da CEEE Equatorial, o ICMS e o PIS/Cofins somam cerca de R$ 70 dos R$ 316. A iluminação pública vem por fora, e quem define o valor é a prefeitura. Veja o que cada um é, como é calculado e onde aparece na fatura.
Por Equipe TrustorPublicado em 6 min de leitura

Resposta curta: além da energia, a conta de luz leva dois impostos e uma contribuição. O ICMS é estadual (17% no RS), o PIS/Cofins é federal (perto de 5%) e a iluminação pública é da prefeitura, que define o valor. Numa conta de 300 kWh, ICMS e PIS/Cofins somam cerca de R$ 70.
Quanto de imposto tem numa conta de 300 kWh?
Pegamos as tarifas residenciais da CEEE Equatorial homologadas pela ANEEL e montamos uma conta de 300 kWh, com bandeira verde e sem iluminação pública. O resultado é uma fatura de cerca de R$ 316, que se divide assim:
| Parte | Valor | Quem recebe |
|---|---|---|
| Energia (TE) | R$ 103 | Geração |
| Distribuição, o "fio" (TUSD) | R$ 144 | Distribuidora |
| ICMS (17%) | R$ 54 | Estado |
| PIS/Cofins (~5%) | R$ 16 | União |
| Total | R$ 316 |

Os impostos pesam cerca de 22% do total. Cálculo aproximado, com valores arredondados.
O que é o ICMS e quanto é no Rio Grande do Sul?
O ICMS é o imposto que o estado cobra sobre a circulação de mercadorias e serviços, e a energia elétrica entra nessa lista. No RS, a alíquota máxima é de 17% nas contas emitidas desde 4 de julho de 2022, segundo a RGE. Desde 10 de fevereiro de 2023, ele também incide sobre a TUSD, a parte do fio.
Isso quer dizer que o ICMS vale sobre quase tudo que está na sua conta: energia, distribuição e a bandeira tarifária, quando ela está ligada. Quem consome pouco ou tem Tarifa Social pode ter regras próprias, e a sua fatura mostra a alíquota que foi aplicada.
O que são PIS e Cofins?
São dois tributos federais que a distribuidora repassa na conta. Os dois somam perto de 5%, mas a alíquota muda todo mês, porque depende de como a distribuidora recolhe esses tributos. Na fatura da RGE de setembro de 2026, por exemplo, o PIS era de 0,88% e a Cofins de 4,13%. A sua fatura traz os percentuais do mês no quadro de tributos.
Por que o imposto pesa mais do que 22% sobre a energia?
Porque o ICMS é calculado "por dentro": o imposto entra na própria base de cálculo. É uma regra da Lei Complementar 87/1996, e o PIS/Cofins segue o mesmo caminho na conta de luz. Veja com os números do exemplo:
- A energia e o fio, juntos, custam R$ 246,60 (300 kWh × R$ 0,822 por kWh).
- Para que 17% + 5% = 22% do total sejam imposto, o total precisa ser R$ 246,60 ÷ (1 − 0,22) = R$ 316.
- Os R$ 70 de imposto equivalem a cerca de 28% sobre os R$ 247.
Não é cobrança em dobro nem erro da distribuidora. É o jeito como o imposto está desenhado. O resultado prático é que cada R$ 1 de energia ou de fio custa para você uns R$ 1,28 depois dos impostos.
O que é a taxa de iluminação pública?
É a CIP (Contribuição para Custeio da Iluminação Pública), também chamada de COSIP. Ela paga os postes, as lâmpadas e a manutenção da iluminação das ruas da sua cidade. Não é imposto sobre a energia que você consome: é uma contribuição criada pelo seu município, com base no artigo 149-A da Constituição.
A distribuidora só cobra na fatura em nome da prefeitura. Quem decide o valor e a fórmula é a lei municipal: algumas cidades cobram um valor fixo, outras escalonam por faixa de consumo ou por tipo de imóvel. A própria ANEEL informa que não define o valor da CIP.
Exemplo: se a CIP da sua cidade fosse R$ 20 por mês, a conta do exemplo passaria de R$ 316 para R$ 336. O valor acima é só uma ilustração, e a sua fatura mostra o número real.
Onde vejo cada um na minha fatura?
- ICMS e PIS/Cofins: num quadro à parte, com a base de cálculo, a alíquota e o valor de cada tributo.
- Iluminação pública: numa linha própria, em geral a última antes do total, com o nome "Contribuição de iluminação pública" ou "CIP/COSIP".
- Energia e fio: nos itens da fatura, com o consumo em kWh e a tarifa de cada um.
Explicamos linha por linha em Quanto da sua conta de luz é energia de verdade?
Dá para pagar menos imposto na conta de luz?
Não dá para mudar a alíquota, que é a mesma para todo mundo na mesma situação. Mas, como o imposto é um percentual do total, cada kWh que você deixa de consumir também deixa de pagar imposto. Reduzir R$ 100 de energia e fio tira da conta cerca de R$ 128.
Outras formas de mexer no valor, sem mudar o imposto:
- Consumir menos nos horários e meses caros, como mostramos em Bandeira tarifária: o que é e quanto custa.
- Rever a tarifa: a tarifa branca muda o preço do kWh conforme o horário.
- Trocar a origem da energia, com assinatura ou placa solar. Nos dois casos, o imposto continua existindo sobre o que a distribuidora ainda fornece: a taxa mínima e a iluminação pública seguem na conta.
E se eu achar que a cobrança está errada?
- Fale com a distribuidora e peça o número de protocolo. Ela precisa explicar cada linha da fatura.
- Se não resolver, registre a reclamação na ANEEL, pelo telefone 167 ou pelo site.
- Dúvida sobre a iluminação pública (valor, isenção, rua sem poste): o assunto é da prefeitura, e não da distribuidora nem da ANEEL.
Em resumo
- ICMS (17% no RS) e PIS/Cofins (perto de 5%) somam cerca de 22% da conta, uns R$ 70 numa conta de 300 kWh.
- O imposto é calculado "por dentro", então equivale a cerca de 28% sobre o valor da energia e do fio. Isso é a regra, e não um erro.
- A iluminação pública é da prefeitura: quem define o valor é a lei do seu município, e a distribuidora só cobra na fatura.
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